segunda-feira, 1 de outubro de 2012



Preciso de sair desta solidão.
Se não fossem as  cartas, como as feridas da saudade se cicatrizariam?
Vivo um coração triturado por tanto que perdi. Custa-me admitir que o sonho se evadiu e esse sonho flutua como a viagem que tu  insisto em marcar.
Não sei se irei.
Passeando pelo calçadão ao longo do rio, o frio trouxe-me para casa onde o vento me fez lembrar as monções do Mar Longe.
Olhei o céu despido de estrelas.
É nelas que quero guardar as coisas pequenas mas grandes por dentro.
Sorriem. 
Recusam-me.


E eu quero ir ao encontro da minha estrela azul para nela encontrar Paz.
Nela escrevo a minha solidão. 
Sabes o que fez?
Estendeu um raio de luz para esquecer o tempo em que andei perdida.
A minha alma ouviu uma orquestra de citaras que fizeram recordar em silêncio o eco do Amor que queima dentro de mim e teimo em repudiar.
Afinal, quem sou?
Sou um sonho inacabado.
Sou a incerteza da certeza do que sou.
Sou solidão.
Sou apaixonada pela vida.
Sou a cor da esperança.
Sou uma aresta de beijos.
Sou aquela que foi princesa de um condado.
Sou o que não quer ser.
Cores, dunas, flores.
Sou um tempo a cicatrizar feridas.
Sou palavras sonhadas.
Sou um rio a desaguar.
Sou um coração coragem.
Sou lágrimas á janela.
Sou o bote dos búzios.
Sou o medo do alto mar.
Sou uma ilha perdida.
Sou a derrota das derrotas da vida.
Um dia serei a música de um assombroso amanhecer.
Para   não me sentir nesta solidão infernal, parto no meu alasão branco, de cabelos ao vento
em busca da minha estrela azul que ilumina o meu caminho.
Conversamos. Fascínio. Ficciono o meu EU.
Enterro esse EU onde a cor de ébano espreguiça a sensualidade, divertindo-se com a nudez do meu corpo, uma fragata esfrangalhada.
Calo as palavras.
Transformo-as em metáforas para um TU ausente no outro lado do mar.
Dois oceanos que sulcam ondas de espuma furibundas por nunca poderem abraçar-se num enlace de caricias pertubadoras.
Grito pela estrela azul, Pergunto: Porque foges? 
Persigo o teu rasto luminoso, deslizas pelo Universo ao som de lãgrimas.
Já as sequei e a minha interioridade transformou-te num oasis, o deus dos meus deuses.
A consciência cósmica ostensivamente determinista sorri dizendo: Tudo passa, menos o Amor.
Mas que Amor tão estranho!
Afinal um Amor de viajantes eternos com o aval do Mestre dos búzios para todo o sempre.
Nessa estrela azul deixei as coisas pequenas, mas tão ricas por dentro!

De corpo e alma

Invado-me de ti
Banho-me nas tuas águas
Vida de fráguas
Tropeço
Desfaleço
Mas por ti espero
Em qualquer momento num lugar .
Teu sorriso

Leve

Suave
Abraçará meu corpo
Sem folego
Em labaredas de fogo
Sem parar.

Maria

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